A estréia

Não, não é de um filme que vou tratar na coluna de hoje, apesar do título acima sugerir essa idéia cinematográfica. Advirto disso porque o título, A estréia, bem que poderia ser de um desses filmes de drama, comédia ou suspense que compramos no camelô da esquina, para assistirmos em casa com o objetivo prático de desopilar, desanuviar a mente, relaxar das misérias do quotidiano; enfim: realizarmos aquilo que os gregos antigos chamavam de a catarse nossa de cada dia, necessária e providencial para o bem-estar do corpo e da alma.

Vou falar, sim, aqui, hoje, da estréia, nesse domingo próximo, do nosso campeonato estadual de futebol. E vou falar disso por uma linha de argumentação para a qual a abertura da coluna, feita acima, é providencial e oportuna. É que alimento os mais rígidos temores de que o nosso campeonato desse ano se desenrole mais uma vez na forma de um filme barato, já visto e de final previsível e insosso. Explico: a julgar pela pré-produção inicial dentro e fora do campo, no que diz respeito aos preparativos para o início das contendas (futebolísticas, administrativas ou jurídicas), o leitor mesmo já deve ter entendido o que estou querendo dizer.

Tudo corre na direção de um campeonato sem muitas novidades para o torcedor no que concerne à organização (ou falta dela) e resultados finais. Vou ater-me hoje aqui a apenas o campo diretamente esportivo com observações sobre os times que vão participar do Paraibano 2012 e seus possíveis desempenhos no decorrer do certame. É já nesse campo propriamente futebolístico, por exemplo, que vislumbro a repetição de fatos e performances que, para o bem ou para o mal, deverão definir o que terá sido, na prática, o campeonato paraibano desse ano, quando analisado após o seu final, lá por volta do mês de maio.

Mais uma vez, podem ter certeza, o título deve ficar com um dos três maiores clubes do Estado: Botafogo, Treze e Campinense, a exemplo do ano passado. Atualmente (e quase sempre), são esses três clubes que investiram mais na formação dos seus elencos, com raríssimas exceções para se contraporem a este fato. Dito isto, acrescento que num período mais recente (e isto já decorre há uns três anos, pelos menos), o Treze de Campina Grande é que tem investido mais, tanto em quantidade quanto em qualidade na projeção de um time de futebol competitivo e com metas a atingir.

Não é à toa que é bicampeão paraibano (2010 e 2011) e esse ano, mais uma vez, montou um time com o objetivo de chegar ao tricampeonato estadual. Tem a gerência de futebol mais profissional e técnica dos três grandes do Estado e planejamento esportivo e de marketing que inclui a execução prática de idéias básicas em termos de planejamento esportivo como, por exemplo, manter o mesmo técnico trabalhando com o time há quase quatro anos consecutivos.

Enquanto isso acontece nas hostes trezeanaa, seus concorrentes diretos, Botafogo e Campinense, patinam numa pista esburacada e cheia de obstáculos, a maioria deles criados pelos seus próprios dirigentes ao longo dos anos. O Campinense, por exemplo, há pouco menos de dois anos, teve todo seu material esportivo confiscado pela Justiça do Trabalho por causa de dívidas trabalhistas. Só montou um time para as disputas do campeonato seguinte a este fato porque mendigou ao Governo do Estado ajuda desesperada como um autêntico flagelado.

O Botafogo, por seu lado, time de tradição e hegemonia consolidada no futebol paraibano, entra em cada campeonato que disputa tal um cachorro que caiu de uma mudança: mais perdido do que cego em tiroteio. Esse ano, entretanto, uma luz no fim do túnel surgiu com a entrada de Nelson Lira na diretoria do clube. Com visão mais técnica e profissional do que seus antecessores, Nelson promete retornar no Belo o time vencedor e hegemônico que sempre foi. Montou um time de jogadores desconhecidos do torcedor paraibano e joga todas as fichas na força que acha que esse elenco tem para impedir o tricampeonato do Treze. Eu, por mim, só estou esperando começar e encerrar a sessão do filme para comentar aqui o seu final, que mais uma vez vislumbro previsível e insosso: O treze vai levar a taça outra vez; o Campinense vai naufragar em seu voluntarismo estóico e o Botafogo vai chorar o vice-campeonato. Espero que esteja errado.

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